Por Redação do ge — Campinas, SP
30/10/2026 07h00 Atualizado 30/10/2026
Técnico Elio Sizenando entra na justiça contra o Guarani
O Guarani voltou a conviver com ações trabalhistas movidas por ex-jogadores e profissionais que passaram pelo clube. O movimento recente, motivado por pendências financeiras, ligou o alerta nos bastidores do Brinco de Ouro e reacendeu uma preocupação que havia perdido força nos últimos anos.
Guarani não tem previsão de pagar ao elenco os salários atrasados
Desde 2019, quando ocorreu a transição de Palmeron Mendes Filho para Ricardo Moisés no Conselho de Administração, o Bugre vinha registrando uma redução expressiva nos processos movidos por ex-atletas e treinadores. Nos anos seguintes, as ações identificadas pelo ge eram tratadas pelo clube como casos pontuais, sem ultrapassar duas ou três por temporada.
O cenário voltou a chamar a atenção em 2026. Nomes como o goleiro Emerson Júnior, o lateral-direito Ynaiã, os meias Diego Torres e Isaque e o atacante Gabriel Silva procuraram a Justiça em razão de pendências financeiras. Outros atletas também estudam recorrer judicialmente para cobrar valores em aberto.
Diego Torres é um dos atletas na Justiça contra o clube — Foto: Raphael Silvestre/Guarani FC
Considerando as ações de Emerson Júnior, Ynaiã, Diego Torres e Isaque, os valores cobrados somam R$ 4.411.176,30. As cifras correspondem aos pedidos apresentados nos processos e não representam, necessariamente, valores já reconhecidos pela Justiça como devidos.
A movimentação também chegou à comissão técnica. Demitido no fim de agosto, Élio Sizenando acionou o Guarani na Justiça do Trabalho e se tornou o primeiro treinador a mover uma ação contra o clube desde Roberto Fonseca, em meados de 2019, ainda durante a gestão de Palmeron Mendes Filho.
Elio Sizenando, técnico do Guarani — Foto: TV Guarani
Atualmente no Capivariano, Sizenando cobra R$ 233.044,45 em processo distribuído na 7ª Vara do Trabalho de Campinas. O ex-técnico alega atraso no pagamento de um mês de salário e pede o acerto de verbas rescisórias proporcionais, como férias e 13º salário, além de depósitos do FGTS. O valor total inclui multas previstas na legislação trabalhista.
Antes disso, o ge identificou ações de ex-jogadores em temporadas anteriores, como Felipe Guedes, Michel Douglas e Nando, em 2019; Pablo Diogo, em 2020; e Tony, em 2021, além de processos envolvendo atletas das categorias de base. Mas o aumento deste ano passou a preocupar os dirigentes bugrinos.
Na avaliação de pessoas ligadas à diretoria, novas ações ainda podem ser apresentadas nos próximos dias. O movimento ocorre em meio aos atrasos nos pagamentos de salários via CLT e direitos de imagem, que afetam o elenco desde o meio do ano.
Rômulo Amaro, presidente do Guarani, conversa com o executivo Carlos Frontini — Foto: Raphael Silvestre/Guarani FC
Os problemas financeiros se agravaram a partir de junho, depois que o Guarani precisou reiniciar o processo eleitoral realizado em dezembro. A Justiça entendeu que o pleito não havia seguido as regras previstas no estatuto do clube, o que atrasou a discussão sobre a transformação do futebol em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Com o adiamento, os recursos previstos no planejamento financeiro para 2026 não chegaram no ritmo esperado. As receitas de patrocínios, cotas e outras fontes não foram suficientes para manter os pagamentos em dia.
A expectativa do clube agora está voltada para a votação da proposta de SAF apresentada pelo empresário Roberto Graziano, prevista para 19 de novembro. Paralelamente, o Guarani acelera o planejamento do elenco para a próxima temporada, em conversas conduzidas pelo executivo de futebol Carlos Frontini.
A permanência de Frontini, porém, não está garantida. Em caso de aprovação da proposta, Graziano poderá manter o atual executivo ou indicar um profissional de confiança para o cargo. A estrutura do departamento de futebol também deverá ser discutida durante o processo de transição.