Por Bruno Fratus — São Paulo
30/10/2026 12h49 Atualizado 30/10/2026
Tô Felizão: Fratus comemora medalhas de Rebeca Andrade e Flávia Saraiva
No último fim de semana, nós assistimos ao tricampeonato mundial de Rebeca Andrade no salto. Na competição que aconteceu em Roterdã, a nossa rainha chegou ao lugar mais alto do pódio depois de um período sabático que se estendeu por mais de um ano e após se assustar com uma torção no pé durante os treinos para a competição.
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A campeã olímpica brilhou na final do salto com dois voos praticamente impecáveis e conquistou sua décima medalha em mundiais, que foi somada às seis premiações em Olimpíadas. Com média de 14,466 pontos, Rebeca superou a americana Claire Pease, que apresentou o Cheng mas só conseguiu 14,233. Campeã do individual geral em Roterdã, a americana Skye Blakely completou o pódio, com os mesmos saltos de Rebeca e 14,166 de média.
Rebeca tinha o semblante de quem já não se assusta com a possibilidade de ser a maior da história. E eu não falo só de Brasil. Estamos falando sobre ela ser a maior ginasta do mundo. Ela apresenta a leveza de quem parece transformar em ouro tudo o que toca. Faz o extraordinário parecer tão natural que a gente precisa se lembrar de que ela é sim, extraordinária.
E o que falar de Flávia Saraiva? A Flavinha, que de “inha” só tem a estatura. A personalidade incendiária e o sorriso que entrega uma alegria enorme quase consegue esconder a fera competitiva que ali habita.
A ginasta de 27 anos sabia que precisava cravar sua série mais forte em uma final de trave de nível muito alto no Mundial de ginástica artística. E foi isso que ela fez. No domingo, Flavinha brilhou em Roterdã e conquistou o bronze com 14,300 pontos. Cotada para um pódio da trave desde a Rio 2016, a brasileira enfim pôde colocar essa medalha no peito, a segunda do Brasil na Holanda, depois que Rebeca Andrade foi tricampeã do salto.
Dessa vez, bancou o risco. Flavinha sabia que precisava cravar sua série mais forte em uma final de trave de nível muito alto. O objetivo, então, foi alcançado. Com dificuldade à altura do próprio talento, ela brilhou e conquistou o bronze, sua primeira medalha mundial no aparelho que sempre pareceu ter sido feito pra ela. A conquista veio com 14,300 pontos no aparelho que ela é cotada a pódio desde as Olimpíadas da Rio-2016.
Há um gosto especial em ver esse bronze no peito da Flávia. Depois de tanto tempo acompanhando, torcendo, prendendo a respiração junto, fica impossível não comemorar antes da nota. Assim como ela fez.
Em Roterdã, Flavinha só ficou atrás da argelina Kaylia Nemour e da chinesa Zhang Qingying. Elas empataram com 14,566 pontos, mas a argelina levou o ouro no critério de desempate, por ter maior nota de execução (8,266 x 8,066). As duas inverteram as posições em relação ao pódio do Mundial de 2025, quando a chinesa foi a campeã.
E aqui fica minha reflexão. Rebeca cada vez mais à vontade com o peso da própria coroa. Flávia com o sorriso de sempre provando que ainda tem muito mais para mostrar. E eu aqui felizão com os resultados da Ginastica brasileira em Roterdã.
Rebeca Andrade é ouro no salto sobre a mesa no Mundial 2026 — Foto: REUTERS/Yves Herman