O Black Label Society, banda comandada pelo guitarrista Zakk Wylde, voltou a se apresentar na capital mineira em 2026. A passagem por Belo Horizonte teve como objetivo divulgar Engines of Demolition, o décimo segundo álbum de estúdio da discografia do grupo.
Além de Belo Horizonte, a banda passou por outras cinco cidades brasileiras durante a turnê: Curitiba, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Limeira. Vale lembrar que não é novidade ver Zakk Wylde em terras mineiras, já que esta foi sua sexta passagem por Belo Horizonte, considerando apresentações com o BLS e com o Zakk Sabbath, projeto dedicado ao repertório do Black Sabbath.
Considerando que o show em Minas Gerais aconteceu em uma incomum terça-feira — chuvosa, ainda por cima! —, seria razoável imaginar uma casa com lotação mediana ou até mesmo longe de sua capacidade máxima. Entretanto, o que se viu naquela noite foi um Mister Rock completamente abarrotado, com setores de pista Premium e pista comum, formando um cenário que, visualmente, esteve entre os de maior público já vistos na casa.
Assim como nas demais datas da turnê, coube ao Dark Chapel, banda comandada por Dario Lorina, também guitarrista do BLS, abrir a noite. O grupo entrou em cena em clima de festa e euforia, aproveitando a oportunidade para divulgar Spirit in the Glass (2025), seu álbum de estreia.
Faixas como “Hollow Smile”, “We Are Remade” e “All That Remains”, entre outras presentes no disco, apresentaram ao público uma sonoridade calcada no hard rock moderno. A recepção foi positiva, embora boa parte dos presentes aparentemente ainda não conhecesse todas as músicas executadas.
À frente do Dark Chapel, Dario Lorina também assume os vocais e demonstra versatilidade como músico. Concentrado, o guitarrista investe em riffs pesados e solos marcantes. A interação com a plateia também não ficou de fora: os aplausos e a vibração dos espectadores contribuíram para que a banda conquistasse a atenção de um público que, em sua maioria, estava ali para acompanhar o Black Label Society.
Embora o Dark Chapel ainda não ocupe um espaço consolidado na rotina de boa parte do público mineiro, a apresentação no Mister Rock representou uma oportunidade de aproximação com novos ouvintes.
Para além da função de abrir o evento, o grupo teve a chance de apresentar sua identidade musical em um palco de grande visibilidade, deixando caminho aberto para futuras apresentações em Minas Gerais. Sob essa perspectiva, a missão de Dario Lorina e seus companheiros foi cumprida com êxito!
Um pano de fundo com o logotipo da banda ocultava os ajustes finais do palco enquanto o público buscava os melhores lugares para acompanhar a atração principal da noite. Nesse cenário, era fácil imaginar a avalanche de entusiasmo que tomaria conta do Mister Rock assim que Zakk Wylde surgisse no palco. A abertura ficou por conta de “Funeral Bell”, dando início à apresentação sob a expectativa dos fãs.
O repertório percorreu diferentes fases da discografia do Black Label Society. Embora a turnê tivesse como um dos principais objetivos divulgar Engines of Demolition, os clássicos de outras épocas também marcaram presença. Zakk Wylde (guitarra e voz), Dario Lorina (guitarra), John DeServio (baixo) e Jeff Fabb (bateria) formam uma verdadeira máquina de fazer metal e hard rock, independentemente dos rótulos atribuídos ao som do grupo.
Apesar de recente, “Name in Blood” já demonstrou ter conquistado os fãs, que cantaram e banguearam durante sua execução. A sequência também resgatou faixas mais antigas, como a veloz “Heart of Darkness”, do álbum Catacombs of the Black Vatican, lançado em 2014.
Como de costume, Zakk dominou o palco de ponta a ponta, esbanjando energia, movimentação e desenvoltura tanto nas bases quanto nos solos de guitarra. Sua presença de palco ajudou a manter a plateia envolvida ao longo da apresentação.
A sequência com “No More Tears”, cover de Ozzy Osbourne, seguida pelo clássico “In This River”, com Zakk ao piano, esteve entre os grandes momentos da noite. A balada é dedicada à memória de Dimebag Darrell e à amizade entre o guitarrista do BLS e o saudoso músico do Pantera.
Considerada uma das canções mais emblemáticas da banda, ganhou um peso especial em Belo Horizonte, onde imagens de Dimebag foram exibidas no telão durante a execução.
“Set You Free”, a contagiante “Fire It Up” e a ovacionada “Suicide Messiah” mantiveram a intensidade do espetáculo. De um lado, um público sedento pelo som do BLS; do outro, uma banda entrosada, pesada e precisa, demonstrando ao vivo a mesma força que consagrou suas gravações em estúdio.
Já na reta final, o clima nostálgico deu lugar a mais uma homenagem. “Ozzy’s Song”, faixa de Engines of Demolition dedicada a Ozzy Osbourne, companheiro de longa data de Zakk Wylde, emocionou os presentes. Durante a música, imagens de Ozzy foram exibidas no telão e permaneceram como parte do clima de despedida até o encerramento do espetáculo, com “Stillborn”, velha conhecida dos fãs.
Quem já havia assistido ao BLS em outras ocasiões provavelmente imaginava o que encontraria em Belo Horizonte. Para quem acompanhou a banda ao vivo pela primeira vez, porém, a noite serviu como uma demonstração do que Zakk Wylde e seus companheiros são capazes de proporcionar em cima de um palco.
Com casa cheia, clássicos, homenagens e uma plateia envolvida do início ao fim, o Black Label Society entregou uma apresentação à altura de sua trajetória, que se aproxima de três décadas. Uma noite que reafirmou a força da banda ao vivo e a conexão construída com seus fãs ao longo dos anos.
Funeral BellName in BloodDestroy & ConquerA Love UnrealHeart of DarknessNo More Tears (Ozzy Osbourne cover)In This RiverThe Blessed HellrideSet You FreeFire It UpSuicide MessiahOzzy’s SongStillborn Texto: Reynaldo TrombiniFotos: Luiz Figueiredo